quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

abrir o apetite para a leitura

(Soizick Meister, Keyhole)


"Ora!... vamos lá contar uma conta?"


Em tempos em que os computadores, internet e telemóveis nem sequer entravam nos Contos de Fadas, os livros reinavam na minha infância, adolescência, …bem ainda hoje bebo nos livros!

Bom, já a Lua acordava e dava os bons dias à noite, o Zé Pestana teimava em não querer dormir. Minha Mãe dizia:

- Luís!...toca a dormir, amanhã tens Escola!
- Oh! Mamã conta uma história?
- Ora!..vamos lá contar uma história ao meu menino. Disse a minha Mãe ao pegar num livro.

E começou a ler:

“ Vou falar-lhes dum Reino Maravilhoso.

Embora muitas pessoas digam que não, …não só existe, como é dos mais belos que se possam imaginar. Começa no cimo de Portugal, como os ninhos ficam no cimo das árvores para que a distância os torne mais impossíveis e apetecidos.”

Sim, quando entrei neste Reino Maravilhoso, faz por agora 8 anos, o meu coração não hesitou em amar esta terra: Trás-os-Montes. Dormia e sonhava ao som doce da voz da minha Mãe, sobre um mundo encantado que agora vivo e partilho convosco.

Nunca esqueço o livro, chama-se “Portugal”, do escritor Miguel Torga.

Recomendo-vos uma leitura um livro maravilhoso de uma pessoa que tive o privilégio de conhecer e contar um conto na sua presença.

Bebei cultura, alimentai a vossa alma, buscai o saber nos bons livros!...e terão os melhores frutos da vossa vida.

A propósito!...se bem me lembro, na próxima semana comemora-se a Semana da Leitura, de 3 a 7 de Março, e a vossa Escola está em força, com muitas actividades, desafio-vos a participar e convidem os vossos Pais, está bem?

Um vosso amigo,


Luís Oliveira*,

27/02/2008


*Representante dos pais e encarregados de educação da turma, a quem agradecemos a colaboração!

(Soizick Meister, Autobiography)


Quando era adolescente e vivia numa pequena vila de província que não oferecia aos mais novos alternativas de diversão, o refúgio era, para alguns de nós, a leitura. Felizmente, havia, mesmo no centro da localidade, num dos edifícios mais bonitos, uma biblioteca de que me fiz amiga pelos oito anos. Entrar nela era como entrar num santuário, pois naquele espaço tudo era austeridade e fascínio - os livros metodicamente arrumados, as janelas altíssimas com pesadas portadas de madeira, o chão, também de madeira, de onde se desprendia sempre um forte cheiro a cera e o rosto sisudo do responsável que garantia o silêncio e a ordem.

Veio-me provavelmente daí e do contacto com alguns professores que, felizmente, se cruzaram no meu caminho o gosto que continuo a alimentar pelos livros e pelas histórias. Acrescentaram-no, ainda na infância, a leitura do Girassol, uma publicação juvenil, que incluía passatempos, biografias em banda desenhada, receitas de culinária simples e excertos de livros - um excerto de O Cavaleiro da Dinamarca, da Sophia de Mello Breyner, abriu-me o apetite para a leitura integral da obra.

Assistir a um filme é óptimo, mas não é comparável ao prazer que se tira da leitura de um bom livro.

Com a leitura, podemos viajar, sem sairmos do lugar, ganhamos asas, tornamo-nos cúmplices das personagens, que têm sempre muito para nos ensinar...


Luísa Félix


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